Saverio Paolillo (Pe. Xavier)

Saverio Paolillo (Pe. Xavier)

Missionário Comboniano, nasceu em Barletta na Itália. No Brasil, iniciou suas atividades em São Paulo e em 1998 foi transferido para a Sera (ES), onde teve fundamental importância na criação da Rede Aica.

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Um país abençoado por Deus e amaldiçoado pela corrupção e a omissão pode ressuscitar pela organização e mobilização dos excluídos

 

Hoje de manhã, como de costume, bati um papo com Deus. Foi discorrendo com Ele sobre a Páscoa. A conversa estava muito pesada. Afinal das contas o assunto era muito sério. Para descontrair o clima, contei-lhe que encomendara 150 ovos de chocolate para presentear as crianças do Projeto Legal. Ele abriu um sorriso e me perguntou: “Você também está na lista?”. “Claro que não. – respondi captando seu tom de brincadeira -. Ovo de chocolate não quero não. Estou de regime, mas não dispenso a surpresa. Surpreende-me, ó Pai com um presente de só três letras que começa com P de paixão e acaba com Z de zelo pela vida. Vem todo recheado de A de amor. Visto que você derrotou a morte de Teu Filho e o ressuscitou, acaba logo com o ódio, dá um jeito na violência que ameaça nossas vidas, apaga o fogo da ira, cura as feridas cravadas nos corações, e inunda cada ser humano com Tua PAZ. EU QUERO! POR ISSO VOU FAZER POR ONDE. Tenho certeza que vou poder contar com muitas outras pessoas. Já vou começando cercando todo mundo de abraços. Quero abraçar de maneira especial as pessoas que por ventura foram por mim machucadas. Preciso de seu perdão para ficar aliviado. Quanto a mim quem precisar de meu perdão sinta-se perdoado. Não sou doido de envenenar meu coração com doses de ódio. Quero padecer de derrame de amor”.

Os olhos de Deus ficaram marejados e uma lágrima foi escorrendo ao longo de seu rosto luminoso. Na hora que pingou no chão brotou a cruz sobre a qual fora pendurado seu Filho amado. No horizonte apareceu Ele glorificado. Não estava sozinho. Avançava com uma longa fileira de homens e mulheres. Até crianças iam atrás dele. Eram os mártires da caminhada. “A paz esteja contigo”, me disse o Ressuscitado. Logo depois me mostrou as mãos e os pés furados pelos pregos e me ordenou: “Mostre-me as suas!”. De início não entendi nada, mas aos poucos foi me dando conta e fiquei envergonhado. Minhas mãos estavam encolhidas demais para receber a Paz do Ressuscitado. Este manda a Paz a todo momento, mas só acontece quando encontra pessoas dispostas a dar a vida por ela. 

No dia 24 de março de 1980, em El Salvador, um tiro disparado por um sicário a mando das oligarquias que mandavam  e desmandavam no pequeno país da América Central, matou dom Oscar Romero, voz profética da Igreja Latinoamericana. Ele assumiu sobre si o sofrimento do povo salvadorenho e lutou com todas as forças contra as violações aos direitos humanos dos mais pobres.  O assassino acabou om a vida de dom Oscar Romero, mas não conseguiu calar sua voz. De seu sangue derramado brotaram  milhares de homens e mulheres  empenhados na luta na defesa e promoção da vida .  

É do poço de seu testemunho que atingem também  quantos/as  militam no Centro de Direitos Humanos dom Oscar Romero/CEDHOR  que há mais de 10 anos marca presença em Santa Rita e no estado da Paraíba.  Seguindo os passos de Jesus de Nazaré e de todos/as os/as mártires da caminhada, o CEDHOR reafirma seu compromisso de  descer da cruz as vítimas inocentes do sistema perverso que,  em nome do lucro a qualquer custa, pisoteia os elementares direitos humanos.    Indignado com o desmonte  dos direitos conquistados bravamente pelos movimentos populares, o Cedhor aproveita desse dia comemorativo para gritar com força CONTRA TODAS AS REFORMAS QUE ESSE CONGRESSO NACIONAL ESTÁ APROVANDO PARA CONSAGRAR OS INTERESSES DOS PODEROSOS EM DETRIMENTO DA DIGNIDADE DOS MAIS POBRES. “Para que servem belas estradas e aeroportos, belos edifícios e grandes palácios, se forem construídos com o sangue de pobres que jamais vão desfrutá-los?”, afirmava dom Oscar Romero. Não é sólida uma economia que exclui milhões de pessoas e as obriga a se esfomearem com as migalhas que caem das mesas dos poderosos.

Fazemos tesouro do testemunho de dom Oscar Romero . Retornemos às ruas e entoemos nossos gritos de batalha. Como o povo de Israel durante o exílio sentava na beira dos rios de Babilônia para fazer memória da Terra amada, assim nós, com todas as vítimas do sistema, empurrados para o exílio da indignidade por esse Governo surdo aos clamores dos pobres, cantemos com força nossos cantos de luta. Não vamos permitir que arrastem nosso povo para o báratro da miséria brava. SEM TEMER.  “Ainda quando nos chamem de loucos, ainda quando nos chamem de subversivos, comunistas e todos os adjetivos que se dirigem a nós, sabemos que não fazemos nada mais do que anunciar o testemunho subversivo das bem-aventuranças, que proclamam bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os que sofrem.” (Romero, 11/05/1978. (pe. Xavier Paolillo)

 

 

36 meninas morreram queimadas num incêndio que destruiu um abrigo destinado ao acolhimento de adolescentes. A tragédia aconteceu na Guatemala no último dia 8 de março. Além das vítimas fatais, 24 meninas ficaram gravemente feridas, algumas delas com queimaduras de terceiro grau. O incêndio teria começado numa sala de 16 metros quadrados onde 52 adolescentes haviam sido trancadas para serem controladas após uma rebelião. Segundo relato dos funcionários as próprias meninas teriam colocado fogo em colchões para denunciarem o tratamento desumano recebido na unidade.

 

Administrada pela Secretaria de Bem-Estar Social da Presidência, a instituição abriga, por ordem judicial, menores de 18 anos vítimas de violência doméstica, de algum delito ou que foram resgatados das ruas, entre outros motivos. O centro tem capacidade para 400 adolescentes, mas abriga 800. Há tempo a instituição era alvo de denúncias por maus tratos e violências sexuais contra os internos, sobretudo contra as meninas que estavam abrigadas para serem protegidas das violências sofridas em casa e na rua. Eis aqui uma enésima prova da incompetência, omissão, irresponsabilidade e crueldade com que as instituições públicas, salvo raras exceções, tratam nossas crianças e adolescentes. Tragédias como essa podem ocorrer a qualquer momento também no Brasil, onde, sobretudo nas instituições destinadas a acolher adolescentes, nos confrontamos ainda com o descaso do poder público, a falta de investimentos, o despreparo de boa parte dos funcionários, a insensibilidade da sociedade, a hipocrisia de boa parte dos meios de comunicação social e a pouca incidência dos órgãos fiscalizadores quanto à reversão desse dramático quadro. As meninas da Guatemala estavam abrigadas por determinação judicial. Haviam sido colocadas naquela unidade com a finalidade de serem protegidas. Foi para “o bem delas” que aquelas mesmas instituições que nunca prestaram ouvido ao clamor delas e foram incapazes de garantir-lhes os direitos essenciais no momento oportuno, as internaram mesmo sabendo que aquela instituição não tinha as mínimas condições de devolver àquelas meninas a alegria de viver com dignidade.

 

Será que acredita mesmo no bem-estar dos/das adolescentes quem, pelo mundo afora, inclusive no Brasil, decide interná-los em instituições dessa laia?

 

Espaços como estes só servem para carbonizar vidas, incinerar sonhos e matar a esperança. A história tem demonstrado que a internação em masmorras, esse é o nome que melhor descreve as nossas unidades socioeducativas, não recupera quase ninguém.Os poucos resultados positivos são fruto da resiliência da própria garotada. Passa o tempo e a história se repete. Muda o país, mas o descaso é o mesmo. As poucas conquistas não conseguem apagar o fogo que incinera prematuramente os sonhos dos meninos e das meninas empobrecidos violados em seus direitos. O dia 8 de março continua marcado pela violência. Em 1911, cerca de 130 operárias morreram queimadas numa fábrica têxtil de Nova York, nos Estados Unidos. Em 2017, 36 meninas morrem carbonizadas numa instituição ironicamente chamada de “Hogar Seguro”. Na porta dessa instituição e de todas aquelas que lhe são parecidas cabe bem o texto que o poeta Dante afixou na entrada do inferno: “Ó vós que entrais, abandonai toda esperança! “.

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